Do Menor Para o Maior: dicas de literatura para crianças e adolescentes.
Por Isaías Rodrigues
Ler é muito bom. A leitura faz a gente rir, chorar, sonhar, imaginar e conhecer lugares novos. Lendo, aumentamos nosso vocabulário e nosso conhecimento sobre vários assuntos. Por isso todo mundo deve ler, até mesmo as crianças que ainda não aprenderam a ler.
Crianças que não possuem conhecimento das palavras são capazes de ler expressões, imagens e sentimentos. A autora de Bruxinha Zuzu, Eva Furnari, conta a história super divertida de uma simpática e atrapalhada bruxinha só com imagens. Mesmo sem dizer uma palavra, a história da bruxinha é tão incrível que crianças maiores também podem ler.
Que tal clássicos da literatura brasileira para uma turminha antenada com o mundo das letras? Ruth Rocha é fantástica! Autora de Marcelo, Marmelo, Martelo, Bom Dia Todas as Cores, Faz Muito Tempo, Como se Fosse Dinheiro, A Arca de Noé, Romeu e Julieta, As Coisas Que a Gente Fala… Nossa, a lista é grande! E só citamos alguns de seus livros mais famosos.
E temos ainda Monteiro Lobato, Pedro Bandeira, Cecília Meireles, Maria Clara Machado, Mauricio de Sousa, Ziraldo… Esses autores marcaram a infância de muita gente e vão continuar marcando. São obras passam de geração em geração e nunca envelhecem.
Para aquela turma descolada que gosta de aventura, emoção e suspense, os best sellers da atualidade são boas indicação pra quem procura diversão. Com narrativas emocionantes, cheias de detalhes e linguagem acessível, os títulos de grande popularidade conquistam fãs e despertam o interesse pela leitura daqueles que não leem com muita frequência.
A trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, e a série Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan, são fenômenos entre os adolescentes e porta de entrada para novos leitores. A menos famosa, mas não menos brilhante trilogia Feios, além de contar uma aventura eletrizante carrega consigo uma sutil critica social.
Leia bastante, leia o que gosta e independente da idade ou do gosto pessoal escolha uma das várias opções existentes e divirta-se. Boa leitura!
LudoeducaÇâo
Desperte a atençâo do aluno para o aprendizado, utilizando jogos, brinquedos, dança, musica, histórias, dramatizaçâo, entre outros divertidos recursos.
Por: Vania Dohme*
Johan Huizinga (2000), na obra Homo Ludens, pretendeu demonstrar como o jogo está presente em tudo o que acontece no mundo, ultrapassando os limites da atividade puramente física ou biológica, tendo um sentido próprio e determinado.
Para este autor, a situação vivida em um jogo pode ser simbolizada por uma bolha, uma bolha lúdica, representada por um espaço temporário que se abre dentro da realidade do cotidiano, na qual se entra voluntariamente e em que se está assegurado da possibilidade de saída. Dentro desta bolha, há uma situação de desafio o qual necessita de empenho e dedicação para ser atingido. Esta situação é desenvolvida e regida por regras de participação que serão fielmente obedecidas.
Na bolha lúdica as pessoas se relacionam com mais liberdade, pois não estão influenciadas pelo papel que os seus companheiros têm no mundo exterior e também não se preocupam com o julgamento que os seus companheiros irão fazer delas, pois o seu comportamento só tem validade enquanto todos estiverem “dentro da bolha”.
As brincadeiras são as grandes bolhas que envolvem a vida das crianças; dentro delas, elas se sentem com mais autonomia, mais identificadas umas com as outras e se relacionam melhor. Isso repercute, também, na recepção do adulto, do educador que “entra na bolha” – ele é seu amigo, veio ao mundo da criança e, por isso, é recebido mais facilmente e de forma mais afetiva.
Caillois (1994), posteriormente a Huizinga, também escreveu sobre o lúdico, relacionando o jogo à cultura, mostrando que é uma manifestação rica e variada das diversidades culturais. Para ele, o ludus propõe um desejo primitivo do homem de superar obstáculos que se renovam perpetuamente. Para isso, o homem inventa mil estruturas e ocasiões a fim de encontrar a satisfação, o relaxamento e o contentamento de usar o seu saber, sua inteligência e as habilidades que possui, de uma maneira informal, sem consequências na vida real, o que, porém, não tira a seriedade com que estas atividades são realizadas.
Estudos recentes feitos sobre o desenvolvimento da criança, sejam eles do ponto de vista social, psicológico, cognitivo, afetivo, ou mesmo físico-motor, demonstram quão rica é a atividade da criança na busca de sua plenitude, e como as ações que ela empreende nessa busca são determinantes para o adulto que ela irá ser.
E, assim sendo, a criança tem uma participação ativa no seu desenvolvimento à medida que se envolve com a realidade exterior. Para que essa participação aconteça, é preciso que ela esteja motivada, ou seja, que a ação seja atrativa, é preciso que seja do seu agrado. Assim, é incontestável que o brincar irá motivá-la e que consistirá em uma maneira de colocá-la no centro do aprendizado, para que ela vivencie experiências, reflita sobre elas e as incorpore no seu desenvolvimento em um processo de construção do conhecimento tal qual ensinou Piaget (1994).
As atividades lúdicas podem ser os jogos, as histórias, a dramatização, a música e a dança e as diversas manifestações artísticas, cada uma com suas características que privilegiam com maior ou menor ênfase aspectos do desenvolvimento infantil.
*Vania Dohme é mestre em Educação, Arte e História da Cultura e Doutora em Comunicação e Semiótica.
Tels:
(11) 2950-7481 / 2979-0084
site: www.editorainformal.com.br
José Pacheco
Educador da Escola da Ponte
Desde 1976, a ousadia do engenheiro e educador José Pacheco em pôr em prática uma nova organização de escola deu início à famosa Escola da Ponte, na cidade portuguesa de Vila das Aves. “Foi uma certa vingança pelas violências que eu mesmo passei na escola quando pequeno. Não queria que nenhuma criança tivesse que passar mais por coisas semelhantes”, lembra o professor Pacheco.
Quem ouve falar pela primeira vez da experiência portuguesa, hesita em acreditar. Surpresa maior só mesmo de quem a conheceu nos anos 70. Aqui, o professor Zé da Ponte, como gosta de ser chamado, conta a sua experiência transformadora. Veja a entrevista:
Como o senhor encontrou a escola da Ponte em 76?
A Escola da Ponte era um espaço malcuidado, mais da metade dos alunos da 1ª à 8ª série não sabia ler e todos iam para as aulas sujos, bêbados e prostituídos. Era um espaço capacitado para reproduzir desigualdade e infelicidade. Coisas básicas, como satisfazer as necessidades biológicas mais elementares, constituíam uma experiência humilhante: os banheiros não tinham portas e as alunas iam lá fora em grupos de cinco, ou seis, para fazerem um círculo humano em torno da necessitada, numa lição de solidariedade. Os professores, encerrados no refúgio da sua sala, a sós com os seus alunos, o seu método, os seus manuais uniformizados, a sua falsa competência multidisciplinar, repetiam passivamente as lições.
As crianças que chegavam à escola com uma cultura diferente da que ali prevalecia eram desfavorecidas pelo não reconhecimento da sua experiência sociocultural. Algumas transferiam para a vida escolar os problemas sociais dos bairros pobres onde viviam. O resultado eram alunos desajustados que colocavam em prática a tradição da escola: mandar os professores para o hospital. É claro que eles exigiam de nós uma atitude de grande atenção e investimento no domínio afetivo e emocional. E isso, a escola tradicional, cheia de regras impostas, não permitia.
Podemos dizer que a solidariedade entre os alunos deslanchou o processo?
Sem dúvida. Haverá mais solidariedade que assegurar a necessária intimidade à colega que precisa ir ao banheiro? Os grandes projetos partem de pequenos gestos. E só professores que não se questionam poderiam consentir que as crianças continuassem a viver num cotidiano escolar que roçava o limiar da sobrevivência. Quando ficou garantido o conforto dos corpos, o reconforto das almas veio por acréscimo. O projeto cresceu, prosperou, sofreu ataques que visavam destruí-lo, mas resistiu e consolidou-se.
O projeto da Escola da Ponte é um projeto eclético?
De certo modo, por adotar contribuições de diferentes origens, modelos, autores e correntes…
É nossa convicção que um projeto só poderá encontrar sentido e sustentabilidade se for escorado numa permanente interrogação das suas práticas e escapar à vertigem de fundamentalismos pedagógicos. Rejeitamos as teorias, propostas metodológicas, os modelos, os modismos, por mais bem embrulhados e recomendados que cheguem até nós, se não fizerem sentido. É só isso: antes de adotar qualquer conceito, já cristalizado ou inovador, o analisamos com sensibilidade e bom censo.

Exemplo ambiental
Índio não é só coisa da mata não, pode ter um bem pertinho de você. Mostre como algumas ações podem ajudar a vida de muitas pessoas, como o Rony fez.

Nascido no sertão de Pernambuco, o ator e agente sócio ambiental Rony Cácio Feitosa da Silva trabalha no projeto Comido dos Astros, e aposta no humor refinado. No ano passado (2010) Rony resolveu que podia fazer algo pela sociedade, trabalhou em uma ação meritoriosa humanista, junto de um grupo de amigos desenvolveu diversos trabalhos com os índios Guaranis - na cidade de São Paulo - como mutirões de limpeza, oficinas educativas e projetos culturais. Rony nos contou sobre essa experiência e como os índios absorveram a nossa cultura, confira!
Professor Sassá: No que se baseia a cultura indígena?
Rony: A cultura indígena por si só, já é excelência, tem seus costumes, modo de vida, tradições, porém ressalvo que a cultura indígena precede 511 anos da invasão dos portugueses, e assim como toda cultura passa por transformações.
Professor Sassá: O índio é tratado como igual na nossa cultura?
Rony: Não, o índio ainda é invisível na nossa sociedade e em alguns estados, como é o caso do Mato Grosso, o preconceito racial contra indígenas é muito pronunciador, e ali também concentram 57% de assassinatos aos índios. No começo deste mês teve um caso inédito no país em que um advogado criminalista e jornalista, Isaac Duarte, foi condenado a dois anos de prisão por preconceito racial contra indígenas.

Professor Sassá: Explique-nos sobre o seu projeto com as tribos.
Rony: Ano passado, através da Secretaria de Parceria e Participação da Prefeitura apliquei uma oficina de elaboração de projetos na aldeia indígena Tenondé Porã em Parelheiros na cidade de São Paulo, só se consegue recursos para indígenas através de editais ou instituições corporativas, que mesmo assim requer uma elaboração de projeto nos moldais conhecidos, e eles são carentes disto. Ao acabar meu contrato com a prefeitura virei indigenista e completamente envolto naquela cultura, aprendi muito com eles e acho que eles tem muito a ensinar para nossa sociedade. Todas as vezes em que acompanho o cacique em palestras, seminários, fóruns, fico extremamente tocado com suas colocações e postura. Depois que comecei a conviver com eles mudei postura e relação na minha empresa e com os prestadores de serviços.
Professor Sassá: Como funciona a educação indígena?
Rony: A educação indígena tradicional, assim como a maioria de seus conhecimentos, é passada oralmente, aprendem primeiro a sua língua - o que é excelente - pois é seu maior patrimônio, quando se morre uma língua é mais fácil a cultura ser solapada. Contudo a pedagogia convencional ainda é aplicada. Foi aprovada uma lei de ensino diferenciado para indígenas, onde o material didático é na língua daquela etnia e alguns conteúdos e atividades programáticas são vivenciais, isso tem eficácia com eles, tivemos um avanço, mais abro parênteses que, um prédio quadrado, o indígena sentado na cadeira reproduzindo o que se escreve na lousa, avaliação de disciplina e uma carga horária a ser cumprida, esse ensino não é diferenciado para indígenas.
Professor Sassá: E a hierarquia da tribo?
Rony: As aldeias são formadas por associações, onde há cacique e líderes representantes, o cacique é um cervo, um provedor, um diplomata que representa a comunidade fora da aldeia e dentro dela. Um cacique não tem privilégios por ser líder e nenhuma decisão é tomada sem aprovação de todos. Também tem o pajé, que é um líder espiritual, que tem bastante relevância numa aldeia.
Professor Sassá: As formas de caça e procura por comida ainda são as mesmas?
Rony: Num âmbito nacional sim, as tecnologias tradicionais sobrevivem, assim como passam por transformações, agora aqui na cidade de São Paulo na aldeia Tenondé Porã de etnia Guarani Mbyá, no bairro de Parelheiros, onde desenvolvo um trabalho, está fadado acabar.
Professor Sassá: De onde a tribo tira o sustento?
Rony: Boa parte do sustento da aldeia vem do bolsa família e programas do governo, além de projetos executados pelo terceiro setor, e para algumas famílias da venda de artesanatos ou apresentações de suas tradições, como é o caso do coral Guarani. Mas ainda é forte o descaso do poder público na cidade de São Paulo com os Guaranis Mbyá, a aldeia Tenondé Porã está no bairro de parelheiros na APA- Área de Proteção Ambiental, e muitos paulistanos não sabem que temos natureza viva na cidade e que facilitaria aplicação do turismo ecológico na aldeia como geração de renda.

Professor Sassá: Há algum item que você considera importante que tenha se ‘perdido’?
Rony: A terra. Hoje o maior problema relacionado aos indígenas no país é a perda de suas terras. A internacionalização econômica ferozmente tem violentado, expulsado, matado, indígenas em favor de seus interesses. Tem o camuflado e pouco divulgado caso etnocídio, dos Guaranis Kaiowás do Mato Grosso, que há 30 anos vem lutando por direito a terra e que agora com o ‘etanol-biocombustível’, completamente ascendido pelo governo Lula e mídias nacionais, esta situação se consolidou. No Mato Grosso, os fazendeiros que cultivam a cana-de-açúcar, o tal do ‘Ouro verde’, vergonhosamente violam os direitos humanos. Invadem as terras indígenas demarcadas e reconhecidas pela FUNAI, tirando seus direitos, como práticas tradicionais, conhecimentos, espiritualidade e condições de vida sustentáveis. Os Guaranis Kaiowás tem duas opções, vão resistir acampados na beira das rodovias em condições miseráveis ou vão trabalhar como cortadores de cana, desses próprios fazendeiros que os expulsaram. Há também casos de empresas que entraram na lista suja do trabalho escravo pelo MTE- Ministério do Trabalho e do Emprego, além da exploração do trabalho infantil, pois muitos jovens adolescentes indígenas Guaranis Kaiowás viram cortadores de cana.
Professor Sassá: Como é o convívio do índio com o homem branco?
Rony: Pacífica, esta é sua natureza, se permitem e gostam deste contato.
Mesmo no período do Brasil colônia, em que dizimaram milhões de índios. Nos anos 70 na construção da estrada transamazônica, em que momentos belicosos manifestou-se. E hoje esta situação no Mato Grosso é por luta e respeito a sua dignidade e sobrevivência neste vasto território chamado Brasil, que tem terra suficiente. Vale ressaltar aqui, que esses indivíduos sempre foram e serão problemas para o Brasil, governos de várias matizes acumularam e acumulam promessas não cumpridas, eles continuam sendo humilhados, abandonados, dizimados, perseguidos, expropriados, assassinados ou levados ao suicídio. E aqui destaco que esses são os portadores da nossa verdadeira história e o coração-de-mãe do Brasil esta com os índios e os Negros.
Alguns filmes e documentários que indico.
‘Terra Vermelha’ de Marcos Bechis.
‘Mbaraka- A palavra que age’ do Spensy Pimentel/Gianni Puzzo/Edgar Cunha.
‘ A sombra de um delírio verde’ do Cristiano Navarro/An Baccaert/ Nicolas Muñoz.



















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